Como evitar patologias em rochas?



Como evitar patologias em rochas?

A utilização mais constante dos granitos em revestimentos remonta aos anos 60, quando os equipamentos de cortes, até então dedicados apenas ao beneficiamento de mármores, passaram a ter as condições mecânicas de produzirem rochas de maior dureza.


O surgimento de um produto novo, com características de dureza e grande variedade de cores trouxe uma enorme satisfação ao mercado, então carente de novos revestimentos. Naquela oportunidade, criou-se um conceito de que o granito era um material para sempre, que era eterno.


Ocorre que, como todo produto, ele seria submetido a certas situações, onde suas características técnicas teriam que responder a estas solicitações. Como os equipamentos de cortes ainda estavam em fase de aperfeiçoamento, saindo da condição de apenas beneficiadores de mármores, para também de rochas como o granito, bem mais duras, houve uma tendência natural de extrair rochas ainda muito macias, apesar de comparativamente mais firmes que os mármores.


Estes granitos macios tinham esta característica por serem porosos, terem alta absorção d’água, baixa compressão mecânica e diminuta resistência a abrasão. Enfim, a novidade veio a apresentar inadequações em várias obras, cujas solicitações eram mais importantes em alguns fatores, como maior resistência ao desgaste e não apresentar manchamentos etc.


Com a evolução dos processos mecânicos, tecnológicos, a informática, insumos diamantados etc, houve a possibilidade de aproveitamento de rochas cada vez mais duras, que passaram a atender as solicitações mais diversas e já nos meados dos anos 90, os granitos assumiram uma supremacia na utilização em ambientes, cujas solicitações são mais agressivas e de alto tráfego de pedestres, tais como aeroportos, shoppings centers, supermercados, metrôs etc.


Deve no entanto, ser ressaltado, que além do aspecto estético-decorativo, a caracterização tecnológica dos granitos e mármores, deverá ser avaliada como elemento central e fundamental, para evitarmos as patologias nas rochas.


Algumas premissas podem ser consideradas, mesmo antes de maiores investigações. Destacamos:


- Os granitos têm dureza bastante superior aos mármores, portanto não devem ser paginados para o mesmo ambiente.

- Evitar limestones e mármores em áreas onde haja muita névoa salina.

- Não adotar acabamentos polidos em áreas externas.


O enquadramento nos requisitos de normas deve ser uma condição básica para os profissionais de arquitetura e engenharia examinarem antes de projetarem ou pensarem em aplicar determinados granitos ou mármores nos revestimentos de pisos, fachadas, bancadas etc.


Os denominados índices de qualidade são compostos pela análise petrográfica, densidade aparente, porosidade, absorção d' água, compressão uniaxial, flexão em 3 e 4 pontos, coeficiente dilatação térmica, impacto ao corpo duro, congelamento/degelo (alterabilidade).


A CEE-187 da ABNT vem revisando e criando as normas do setor de rochas ornamentais desde 2012, e em 2015 entrou em vigor a norma de requisitos ABNT-NBR 15844:2015 para granitos.





Além dos índices contidos nesta norma, deve ainda ser preliminarmente considerada a norma ABNT-NBR 12042:2012 - Materiais Inorgânicos - Determinação de desgaste por abrasão.


É importante ainda analisar que o revestimento de granito deverá ser convenientemente assentado e rejuntado, com as impermeabilizações necessárias que evitem umidades ascendentes, além de impermeabilizações superficiais quando a solicitação for necessária e que os tempos de cura das diversas fases, quer seja do contrapiso, assentamento e rejunte, que compõem o sistema do piso, sejam atendidas, nos termos das normalizações existentes.


Não podemos esquecer que, após a aplicação e a liberação do revestimento para o tráfego, algumas regras para o uso adequado e sua manutenção devem ser consideradas:


- A limpeza das superfícies revestidas com mármores e granitos deve ser realizada apenas com pano levemente umedecido com água limpa.

- Evitar excesso de água e produtos abrasivos ou quimicamente agressivos (ácidos, álcool, soda cáustica, acetona, removedores e solventes).

- Evitar contato das substâncias contaminantes, e caso ocorra, a limpeza deverá ser imediata.


Caso o problema não possa ser equalizado no devido tempo, atualmente existem várias possibilidades de restaurações e produtos químicos que podem atuar na remoção das patologias adquiridas. Esta é uma análise, que pressupõe um diagnóstico do caso e que deverá ser realizada por profissionais experientes e que irão indicar as possíveis soluções.


Considerando todos estes aspectos e o fato de que o sistema do piso, revestimento, bancadas e fachadas ventiladas , envolve os profissionais de arquitetura, que são os responsáveis pelas especificações, além dos profissionais da engenharia civil, que executam os projetos e consequentemente a aplicação do material rochoso. O INBEC, de maneira inédita e pioneira, criou dentro da especialização em Engenharia Diagnóstica o módulo “Como evitar patologias em rochas”, visando preencher uma lacuna existente nas universidades brasileiras e ainda contribuir na sustentabilidade, com a valorização dos produtos naturais.


Carlos Rubens A. Alencar

MsC em Geologia Dinâmica e Recursos Minerais, é Coordenador da CEE-187-ABNT-RJ.



Carlos Rubens A. Alencar

Professor INBEC

Educar, formar e preparar Profissionais dentro das normativas aplicáveis ao ensino superior.