Como identificar e tratar patologias nas estruturas de concreto?



Como identificar e tratar patologias nas estruturas de concreto?

Ao apresentarem manifestações patológicas que podem afetar desempenho e durabilidade, as estruturas de concreto ficam bastante comprometidas. O Professor Ronald Savoi, doutorando em Engenharia Civil pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), mestre em Engenharia Civil pela USP - Escola de Engenharia de São Carlos e engenheiro civil como consultor e elaborador de projetos com ênfase em fundações e obras de terra, esclarece mais sobre o assunto.


A partir de quais sintomas nas estruturas deve-se iniciar o processo de avaliação?


Normalmente, as patologias das construções são mais acentuadas a partir do momento em que acabam ficando mais visíveis às pessoas. “Desaprumos nos edifícios, afundamentos de piso e principalmente na questão estrutural, quando temos o aparecimento de fissuras e trincas nas paredes”, destaca.


Que procedimentos devem ser executados para elaborar um bom diagnóstico da estrutura?


Primeiramente, chamar um profissional habilitado, como um engenheiro civil. “Existem muitos leigos, pessoas que dão palpites sem conhecimento técnico adequado. A patologia tem que ser diagnosticada, então não adianta ir ao local com pedreiro ou mestre de obras e já querer reparar a patologia. A primeira parte é diagnosticar e ver qual é a causa do problema”, pontua.


Quais são as patologias mais frequentes?


Normalmente, o aparecimento de fissuras em alvenarias. Essas fissuras podem ser problemas de fundação ou de carregamentos excessivos na própria estrutura. “A estrutura muitas vezes foi mal dimensionada. Pode ser o próprio material, pois o concreto tem um problema natural de retração. Uma dosagem inadequada do material também provoca isso e o próprio envelhecimento natural da estrutura, que chamamos de degradação”.


As estruturas degradam com o tempo, e nada pode evitar ou eliminar a periodicidade de manutenção que as estruturas têm que ter. “As pessoas normalmente desconhecem isso, acham que por estar pronto ou executado não é preciso fazer nada. O primordial é que, ao primeiro sinal do aparecimento de algum problema, procure-se um especialista. Quanto mais breve for a intervenção, mais barato e eficiente será o resultado”, salienta.


Existem patologias que surgem logo após a entrega do empreendimento, decorrentes de falhas executivas graves. O morador recebe o imóvel e já detecta problemas a olho nu. “No Brasil não existe uma norma relacionada a isso. Em alguns países, principalmente na Europa, é obrigatório que todas as estruturas, periodicamente, passem pela inspeção predial, para garantir a integridade física de quem ali habita e permanece em seu entorno”.


As causas das patologias podem ser diversas: problema executivo, de projeto, de especificação de materiais, de gerenciamento de obras, ou até mesmo de causas combinadas.


Tipos de tratamento


Quando a patologia está relacionada à problemas de fundações, é preciso fazer um reforço de fundação. Já com uma patologia estrutural, realizar um reforço estrutural. “Existem vários tipos de materiais que as indústrias permitiram produzir ao longo dos anos, como resinas, polímeros, grautes e fibra de carbono. As alternativas para o reparo de patologias são amplas, vai depender do tipo e da origem do problema”.


Importância da prevenção


A prevenção é fundamental e está diretamente ligada a uma boa escolha de materiais, a um bom profissional que projeta e a uma boa empresa que executa, seguido principalmente de padrões normativos (no Brasil, chamado ABNT – Associação Brasileira de Normas Técnicas). “Para patologias que vão ocorrer em decorrência da degradação natural, previne-com manutenção periódica, pinturas e trocas de revestimentos, evitando assim problemas de infiltrações, fazendo com que a vida útil da estrutura seja conservada ou até prolongada”.


Fatores que influenciam o desgaste


O clima, por exemplo, é um fator muito importante. “Em Fortaleza, onde existe presença do mar, há uma ação do meio bastante agressiva. A presença de cloretos e a umidade natural do ar favorecem uma maior intensidade dos problemas relativos à patologias em estruturas, muito mais do que em regiões onde o clima é seco, com a umidade relativa do ar mais baixa e um ambiente menos agressivo”.


As próprias normas adotadas hoje pela ABNT estabelecem padrões de projeto que levam em consideração a maior ou menor suscetibilidade agressiva do meio. Para evitar maiores danos, são adotados padrões de norma, com cobrimentos maiores. “Hoje existem também produtos que podem ser utilizados como proteção da armadura, que é o elemento mais degradado quando se trata de concreto armado. Atualmente temos mecanismos como a galvanização, que permite que a resistência fique mais acentuada, podendo até dobrar a vida útil. Em projetos, é possível um bom prolongamento, evitando que problemas futuros ocorram de forma mais precoce”.


Novas tecnologias na área de restauração


As novas tecnologias estão associadas basicamente aos produtos químicos. “A indústria química avançou muito. Destaco as resinas poliméricas, epóxi e resinas acrílicas. Analogamente ao que acontece na Medicina, onde a patologia é associada ao homem, aqui a patologia é associada às construções. Assim como lá os antibióticos avançaram ao longo dos anos, na construção aconteceu o mesmo, com especificidades para cada doença da construção”.


Quanto às infiltrações, vazamentos e fissuras, onde há um problema grave de percolação de líquido, como em túneis e reservatórios enterrados, o objetivo é recompor a estrutura, mas fundamentalmente estancar o problema de vazamento. “Hoje essas resinas obturam por completo, fazendo com que a estrutura volte a ter integridade e monoliticidade. O grande problema é que, infelizmente, como na própria analogia que a gente faz com a doença, quando a estrutura está muito degradada, o custo para recompor é tão alto que, muitas vezes, fica inviável. Fica mais vantajoso você colocar no chão e fazer outro. Por isso a importância da prevenção”, destaca.


Mitos e verdades da área


Um mito: Às vezes existe uma fissura em uma alvenaria e acredita-se que ela está estável. O pensamento é que "já existe há muito tempo, está estabilizada, é só fechar". Mas, se não houver uma medição, um acompanhamento do histórico do que está acontecendo, o reparo pode ser ineficiente, porque não foi analisada a causa do problema. É feito o que se chama de "maquiagem", onde o problema não é tratado na essência.


Uma verdade: Existe uma associação de que quanto maior for a abertura, maior será o perigo. Realmente é. “Normalmente, aberturas grandes já detectam grandes deformações nas estruturas e a possibilidade de desabamentos e ruínas acaba sendo potencializada. Não é porque a fissura é pequena que é também inofensiva. À medida que o tempo passa pode aumentar, e à medida que aumenta, significa que o problema está sendo potencializado. A fissura pode ser um sinal de que há problema interno severo acontecendo na estrutura. Nada é mais importante que detectar precocemente o problema, para verificar o que efetivamente deve ser feito”.


Desenvolvimento da área


O crescimento da área de estudo de Patologia aconteceu a partir dos anos 80. “Dentre as áreas da engenharia civil, ressaltaria que é uma das mais recentes. É uma cadeira que não era dada dentro das ementas dos cursos de engenharia, eram assuntos abordados em algumas disciplinas e incorporadas por algumas universidades dentro da sua grade, devido a importância que ela tem no cenário atual”.


O profissional tem que ser multidisciplinar e entender um pouco de cada área. As patologias acabam sendo muito comuns e o engenheiro ou arquiteto são contratados para avaliar de forma técnica o problema e propor a solução. Pós-graduação em Engenharia Civil, MBA e Especialização em Arquitetura são boas opções.



Thamiris Treigher

Editora de Conteúdo.

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