Conheça a história de Zaha Hadid, primeira mulher a ganhar o Pritzker, maior honraria da arquitetura internacional



Conheça a história de Zaha Hadid, primeira mulher a ganhar o Pritzker, maior honraria da arquitetura internacional
(Foto: El País)


Mulher e árabe naturalizada britânica, Zaha Hadid é um exemplo para todas as arquitetas que buscam um espaço no mercado. Hadid nasceu na cidade de Bagdá, no Iraque, em 1950, e seu nome é reconhecido e aclamado mundialmente por conta de seu design não linear, desconstrutivista, acompanhado de curvas, formas e perspectivas, sempre se inspirando na natureza.


Não é exagero dizer que Zaha Hadid é uma das referências máximas de boa arquitetura contemporânea feita no mundo. Em 2004, foi a primeira mulher a levar para casa o Pritzker, a maior honraria da arquitetura internacional, além da medalha de ouro do Royal Institute of British Architects. Apesar de dividir opiniões, a arquiteta iraquiana era fã confessa de Oscar Niemeyer e levantou construções de cair o queixo, com a linguagem forte, ousada e sinuosa que lhe era peculiar.

 

Sua primeira formação foi a de matemática, na Universidade Americana de Beirute, no Líbano. Porém, foi no ano de 1972, quando tinha 22 anos, que começou a entrar de cabeça no mundo da Arquitetura, se matriculando na renomada Architectural Association School of Architecture’s, em Londres.

Lá, teve a oportunidade de conhecer dois professores com quem trabalhou posteriormente e foram fundamentais, principalmente para os primeiros passos da arquiteta na profissão: Rem Koolhaas e Elia Zenghelis. Tanto foram marcantes que em seu discurso na premiação do Pritzker, em 2004, Zaha prestou homenagem aos dois profissionais:

“O entendimento e o entusiasmo deles pela Arquitetura acenderam minha ambição, e o encorajamento deles me ensinou a confiar até nas minhas intuições mais estranhas”.

 


Parceria com seus mestres
 

Zaha trabalhou durante um período no conceituado estúdio de Análise Cultural e Arquitetura, Office for Metropolitan Architecture, fundado por seus professores citados no discurso da premiação. A parceria entre os três durou entre 1977 e 1981, e foi uma etapa bastante frutífera na formação de Zaha Hadid.

Entre os trabalhos desenvolvidos pelo trio, destaca-se o projeto de ampliação do Parlamento Holandês, no final da década de 70, elaborado com a combinação de ideias de cada um dos profissionais, mas que se integravam em sua totalidade.

 


Escritório próprio
 

Posteriormente ao trabalho com os arquitetos, fundou seu próprio escritório, nos anos 80, o Zaha Hadid Architects, o que fez com que seu nome se tornasse reconhecido mundialmente na área.

Mesmo com pouco tempo de formação profissional, venceu um concurso em Hong Kong, ao criar um projeto de construção de um clube de Kowloon, o The Peak. Apesar de ser um dos trabalhos mais significativos da carreira da arquiteta, o projeto nunca saiu do papel de fato.

 

Foi, enfim, no ano de 93, que o primeiro projeto elaborado por seu escritório foi construído. Zaha foi escolhida para projetar o prédio do Corpo de Bombeiros do campus de design Vitra, na Alemanha, após um incêndio devastar a edificação. Atualmente, a construção é usada para exibições temporárias e eventos.

 

Quando abriu seu Centro de Arte em 2003, em Cincinnati (Ohio) – seu primeiro projeto norte-americano – o mundo arquitetônico observou de perto como tinha sido a transformação dos planos da inovadora arquiteta do papel para as três dimensões da realidade. Saiu vitoriosa do julgamento, mas entendeu que as exigências com ela seriam maiores e decidiu arriscar mais. “Tentando quebrar os limites da Arquitetura” falava de converter os edifícios em paisagem e repensar os limites físicos das construções. Fez isso com o MAXXI de Roma em 2010 e com a Ópera de Guangzhou no mesmo ano. Naquela época, concluiu uma de suas obras mais comoventes, o colégio Evelyn Grace em Brixton, um lugar onde os estudantes com um futuro pouco promissor estudam em um dos melhores prédios da capital britânica.

 

No recebimento da medalha de ouro em 2004, Zaha discursou uma das suas mais famosas frases em defesa das mulheres na Arquitetura: “Hoje em dia vemos o tempo todo mais arquitetas estabelecidas. Mas isto não significa que seja fácil. Às vezes os desafios são imensos. Houve uma mudança tremenda nos últimos anos e vamos continuar com este progresso”.

Em Baku (Azerbaijão), Hadid e sua equipe construíram o centro cultural Heydar Aliyev, que abriu uma via de vanguarda para a transformação da cidade – ao mesmo tempo que a associou à dinastia vitalícia que detém o poder. Após assinar o Centro Aquático para as Olimpíadas de Londres (2012) e deixar uma versão sóbria da sua marca artística em sua cidade, Hadid foi chamada para trabalhar em Oxford, onde construiu um edifício no St. Anthony’s College.

 

Tinha nas mãos a renovação da frente marítima de Istambul e o projeto de um estádio para Catar 2022, uma torre em Moscou e uma ponte em Taiwan. Se durante anos seu campo de atuação foram os museus – sua obra não construída era valorizada por sua contribuição artística – nas últimas décadas ela parecia querer reinventar o mundo. Seu estúdio só crescia, a ponto de mudar para os escritórios do antigo Museu do Design, ao lado do Tâmisa, onde gerenciava projetos em todos os continentes do mundo.

No Brasil, a arquiteta foi colaboradora por vários anos da Melissa, marca de sapatos de plástico da Grendene, que começou um processo de internacionalização em 2005 – quando passou a convidar nomes de peso do design para desenhar seus modelos.


Por muitas vezes, seus projetos eram cercados de polêmicas por terem custos muito elevados. Um exemplo disso foi o projeto futurístico que criou para a Olimpíada de 2020, em Tóquio: o projeto do estádio foi orçado em 2 bilhões de dólares. No entanto, a organização do evento decidiu por um desenho mais simples.

 

Zaha Hadid faleceu no dia 31 de março de 2016, aos 65 anos, após sofrer um ataque cardíaco quando se tratava de uma bronquite em um hospital em Miami.


 


Obras em destaque
 

Com obras em diversos cantos do mundo, Zaha Hadid possui em seu portfólio diversos projetos de grande importância para a Arquitetura, cada um com características únicas.

1. Um dos que tiveram mais destaque na mídia foi a construção do Centro Aquático de Londres, especialmente para as Olimpíadas de 2012. Para elaborar o projeto, Zaha se inspirou na fluidez da água, criando desenhos com sua principal marca registrada: as curvas.

 

O projeto foi concebido para atender até 17.500 pessoas durante o evento, criando arquibancadas temporárias, que foram substituídas por outras permanentes e, desde o ano de 2014, está aberto para um público de até 2.500 pessoas.




 Foto: Flick/Creative Commons

2. Guangzhou Opera House: inaugurado em 2011, o projeto do teatro à beira do rio Guangdong, na China, teve a natureza como principal inspiração, como a maioria dos trabalhos de Zaha. Foi vencedor de um concurso em 2002, após concorrer com outros escritórios renomados.


 Foto: Flick/Creative Commons

3. Centro Rosenthal de Arte Contemporânea: localizado nos Estados Unidos, em Cincinnati, a obra original é datada de 1939. Zaha Hadid disputou com cerca de 100 concorrentes para elaborar o projeto de um novo prédio no local.



Foto: Flick/Creative Commons

4. Museu Maxxi: Zaha Hadid teve o desafio de projetar o prédio do primeiro museu de arte contemporânea de Roma, em 1998. Para isso, a arquiteta optou pela construção de um espaço que pode ser utilizado de diferentes formas, dividindo o local entre Arte e Arquitetura.


Foto: Flick/Creative Commons

Além de projetos arquitetônicos, Zaha Hadid também escreveu um livro sobre suas obras completas e outro assinado por seu escritório e intitulado: Redefinindo Arquitetura e Design.

Em 2012, Zaha foi eleita Dama da Ordem do Império Britânico, uma das mais significativas honras do Reino Unido, por conta de seu brilhante legado na arquitetura contemporânea.

Zaha  ainda foi contemplada 19 vezes em diversas categorias do RIBA (Royal Institute of British Architects), um das premiações mais respeitadas da Europa.

Praticamente todo ano, seu escritório recebeu um prêmio, comprovando a excelência de seu trabalho e sua forte influência mundial, mesmo após sua morte.

O papel das mulheres na arquitetura sempre foi uma preocupação de Zaha Hadid, conhecida como a “arquiteta de todas as obras”.

 


Fontes:

 

- Zaha Hadid: conheça sua história e contribuição arquitetônica

- Morre aos 65 anos a arquiteta iraquiana Zaha Hadid

- Zaha Hadid: da arquitetura ao design em 15 projetos

- "Zaha Hadid: a arquitetura da rainha das curvas"

- Zaha Hadid, a “arquiteta de todas as obras”

- Morre Zaha Hadid, estrela da arquitetura mundial

 


Thamiris Treigher

Editora de Conteúdo.

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