Grande Museu Egípcio junto às pirâmides de Gizé está pronto para ser inaugurado



Grande Museu Egípcio junto às pirâmides de Gizé está pronto para ser inaugurado
Cortesia do Atelier Brueckner GmbH (Foto: ArchDaily Brasil - Reprodução)


Projetado pelo escritório de arquitetura irlandês Heneghan Peng, o tão aguardado Grande Museu Egípcio—uma estrutura inteiramente dedicada à egiptologia e implantada junto às grandes pirâmides do Egito—, deverá finalmente ser inaugurado no próximo verão. 


A apenas 2 km de distância das pirâmides de Gizé e considerado o maior museu do mundo dedicado a uma única civilização, o complexo cultural do Grande Museu Egípcio está sendo construído para abrigar uma coleção de aproximadamente 100.000 artefatos antigos, cobrindo uma área total de 24.000m² além de contar com um museu infantil anexo, um centro de conferências, espaços educacionais, um núcleo de conservação e restauração assim como extensos jardins paisagísticos dentro e fora do edifício principal.


O projeto para o Grande Museu Egípcio foi escolhido através de um concurso internacional de arquitetura organizado pelo governo egípcio em 2003, no qual o escritório irlandês recebeu o primeiro prêmio. Além da equipe de arquitetura do Heneghan Peng, o projeto inclui também uma equipe de mais de 300 pessoas e 13 empresas de 6 diferentes países


Para o desenvolvimento do projeto executivo, o escritório irlandês contou com a colaboração do BuroHappold Engineering e da equipe de engenharia da Arup. A West 8, por sua vez, esteve comprometida com o desenvolvimento do projeto de paisagismo e do plano diretor para o local, enquanto a empresa alemã Atelier Brueckner foi contratada para desenvolver o projeto da galeria expositiva dedicada a Tutancâmon, o projeto da praça e da grande escadaria de acesso assim como do museu infantil.


A topografia do terreno junto ao sítio arqueológico de Gizé, o qual cobre uma área de mais de 500.000 metros quadrados, é definida por uma diferença de nível de até 50 metros–escavada na paisagem pela contínua passagem das águas do Nilo. Enquanto as três pirâmides ficam em pleno deserto, o edifício do museu encontra-se encaixado entre o vale do Nilo e o planalto das pirâmides, operando como um elemento de conexão entre duas zonas geológicas diferentes.


Devido à diferença de nível entre a praça de acesso e o planalto das pirâmides, o projeto do museu foi concebido como uma espécie de “ponte”, o qual é caracterizado por uma extensa fachada translúcida, como um filtro arquitetônico que se transforma ao longo do dia e da noite. O projeto do edifício foi estruturado a partir de uma série de eixos visuais importantes—os quais evidentemente deveriam ser preservados. O desenho da estrutura do museu, por outro lado, procura incorporar a topografia única do terreno e assim, oferecer uma experiência espacial “ascendente”, um percurso que parte do vale e culmina no famoso planalto das pirâmides de Gizé. 


© Ahmed Wahba (Foto: ArchDaily Brasil/Reprodução)



Na chagada ao local, os visitantes são convidados a entrar no museu através de uma praça seguida de uma escadaria monumental, a partir da qual é possível acessar cada uma das galerias expositivas. Ao final do percurso, no ponto mais alto do museu, os visitantes são premiados com uma estonteante vista panorâmica para as pirâmides.



A construção do Grande Museu Egípcio foi divida em três etapas:


  • Fase I: Limpeza e preparação do terreno para a construção.

  • Fase II: Construção de uma estação de combate a incêndios, de um centro de geração de energia, e um centro de conservação separados do edifício.

  • Fase III: Escavação, locação e construção do edifício do museu, projeto de paisagismo.


Devido a uma série de atrasos imprevistos na execução da obra, o orçamento original foi superado, ultrapassando a marca de um bilhão de dólares. Embora as obras estejam praticamente concluídas, faltando apenas pequenos ajustes, a data oficial de inauguração ainda não foi definida pelas autoridades locais, mas provavelmente o museu será aberto antes do fim do próximo verão.



Cortesia de West 8 (Foto: ArchDaily Brasil/Reprodução)



Egito promove "desfile" inédito de múmias de faraós no Cairo


As múmias de 22 reis e rainhas do Egito antigo protagonizaram durante a noite no último dia 3 o "desfile de faraós" sem precedentes na história. Elas foram transportadas do Museu do Cairo, onde repousam há mais de um século, ao Museu Nacional da Civilização Egípcia (NMEC), ao sul da capital, que foi inaugurado no dia 4. 


Antes do cair da noite, 22 múmias reais - 18 reis e quatro rainhas - foram transportadas em ordem cronológica, cada uma a bordo de veículos com decorações típicas da época dos faraós. O trajeto de cerca de sete quilômetros teve duração de cerca de 40 minutos e contou com um forte esquema de segurança. 


O cortejo foi liderado pelo faraó Sekenenré Taá (século XVI a.C.), da 17ª dinastia, e foi encerrada por Ramsés IX (século XII a.C.), da 20ª. Mais conhecidos do grande público, Ramsés II e Hatshepsut também fizeramo parte deste grande "desfile dourado dos faraós". 


O evento contou com um show musical transmitido ao vivo pela televisão egípcia. A maioria das 22 múmias não saiu do museu no centro do Cairo, localizado na famosa Praça Tahrir, desde o início do século XX. Elas foram descobertas perto de Luxor, no sul do Egito, a partir de 1881, e desde a década de 1950 estão expostas, lado a lado, em uma pequena sala, sem muitas explicações aos visitantes.


Passados anos de instabilidade política após a revolta popular em 2011, que afetou gravemente o turismo no país, o Egito procura uma maneira de recuperar os estrangeiros, em meio à pandemia de coronavírus. 


O NMEC e o Grande Museu Egípcio (GEM), próximo às pirâmides, serão inaugurados nos próximos meses e fazem parte dessa estratégia. A diretora-geral da UNESCO, Audrey Azoulay, que esteve presente no desfile, afirmou em um comunicado que a transferência das múmias ao NMEC é"o apogeu de um longo esforço para preservá-las e exibi-las melhor". "A história da civilização egípcia desfila diante de nossos olhos", acrescentou a líder da organização da ONU, que participou da criação do NMEC.


Fontes:

 - ArchDaily Brasil

- Bol



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