Quais os tipos de projetos de drenagem urbana?



Quais os tipos de projetos de drenagem urbana?

(Imagem: RGS Engenharia/Reprodução)



Podemos definir Drenagem Urbana como o conjunto da infraestrutura existente em uma cidade para realizar a coleta, o transporte e o lançamento final das águas superficiais. 


É constituído por uma série de medidas que visam prevenir e/ou minimizar os riscos a que estão expostas as populações, diminuindo os prejuízos causados pelas inundações principalmente nas áreas mais baixas das comunidades sujeitas a alagamentos ou marginais aos cursos d’água e possibilitando o desenvolvimento urbano de forma harmônica, articulada e ambientalmente sustentável.



Como funciona o sistema de drenagem urbana?


Geralmente, um sistema de drenagem urbana é constituído por um sistema de Microdrenagem – estruturas que, inicialmente, coletam as águas de chuva nas áreas urbanas, formadas por bueiros e tubulações secundárias de menor diâmetro – e por um sistema de Macrodrenagem – conjunto de galerias de águas pluviais, canais artificiais e canais naturais modificados, localizados em fundos de vale, que se constituem nos grandes troncos coletores das águas de chuva em áreas urbanizadas ou em processo de urbanização.


Considerando as características da drenagem urbana podemos agrupar os elementos que compõe um sistema de drenagem urbana em:


  • Pavimentos das ruas

  • Guias e sarjetas

  • Bocas de lobo

  • Galerias de drenagem

  • Sistemas de detenção e infiltração nos lotes e pavimentos

  • Trincheiras e valas



(Imagem: Trilho Ambiental/Reprodução)



Podemos citar um termo que define o conjunto de localidades em que se observa o escoamento da água como bacia hidrográfica urbana, no qual deve-se avaliar a vazão e a necessidade de delimitar a impermeabilização de terrenos.



Falhas na Drenagem Urbana


Quando há falta de planejamento urbano e impermeabilização descontrolada das áreas de escoamento da água da chuva, temos sérios problemas.


O primeiro problema comum é a inundação, nomeado assim por representar a invasão de águas de um rio ou encanamento, por exemplo. Normalmente, a constante inundação gera o segundo problema, que é o alagamento.


O alagamento consiste na água parada em determinado local, encontrando impedimentos ou dificuldades para sair.


O terceiro problema encontrado é a enchente, fenômeno fluvial em que um rio transborda. Comumente, por não conseguir dar vazão às suas águas, as enchentes invadem casas, estabelecimentos e alagam ruas por dias e até semanas.


Deve-se ainda considerar nas enchentes o lixo e toda sujeira jogada que polui, assorea, contamina e degrada o meio ambiente.


Uma questão que deve ser levantada também é o desmatamento, visto que as plantações são aliadas naturais na drenagem da água. Entretanto, é comum esse fato passar despercebido nas políticas nacionais. Segundo levantamentos de especialistas, 40% da Amazônia deve desaparecer até 2050.


Por outra ótica, tanto no Brasil quanto no mundo, anunciam-se as tragédias causadas pelas chuvas, às vezes propiciadas pelo crescimento populacional ou pela falta de investimentos em sistemas eficientes.



Os prejuízos das falhas


Um evento catastrófico no Japão, em junho de 2017, deixou 179 mortos durante chuvas torrenciais por vários dias.


Os noticiários divulgaram que essa foi a maior tragédia causada por um fenômeno meteorológico desde 1982. Mais de 8400 pessoas foram para abrigos e mais de 50 ficaram desaparecidas. Tudo isso somado ao deslocamento de policiais, bombeiros, soldados e da guarda costeira para os trabalhos de busca, e o trabalho de limpeza.


No Brasil, no final de 2017, a região do rio Casca, na região da Zona da Mata Mineira, sofreu com as fortes chuvas. Para se ter uma ideia, choveu o equivalente a 254 litros por metro quadrado, deixando muitas regiões assoladas.


Os números chegaram a duas mil pessoas desabrigadas ou desalojadas por causa da cheia no rio. A situação crítica foi noticiada, mostrando mercadorias, móveis, eletrodomésticos, residências e até escolas destruídas.


Estudos do IBGE mostram que 90% dos municípios do Amazonas sofrem com alguma inundação ou enchente. O mais alarmante disso é que os municípios não se preparam, e poucos tomam medidas de preventivas perante a situação.




Tecnologias para Drenagem Urbana


Dentre os tantos problemas enfrentados pelas cidades, manter o solo drenando água se torna um desafio, mediante a necessidade de colocar asfaltos e calçadas. Contudo, a tecnologia pode ajudar com materiais específicos para lidar com essa situação.


Um dos materiais é o piso permeável drenante, que permite a passagem e escoamento da água entre os vãos. Normalmente utilizado em áreas exteriores, coopera para evitar o alagamento.



(Imagem: EOS Consultores/Reprodução)



Outro material semelhante é o concregrama, que tem uma função parecida, mas para áreas verdes. A idéia é representada com seus procedimentos na imagem abaixo:



(Imagens: OterPrem/Reprodução)



Há também uma técnica utilizada pelas prefeituras na hora de se prevenir de enchentes: os chamados piscinões.


A engenharia aplicada é de grande porte a fim de conter os prejuízos das grandes quantidades de água pluviais. São construídas estruturas abaixo do nível da rua, funcionando como uma enorme cisterna.


Com o acúmulo da água, as águas que poderiam causar inúmeros desastres são armazenadas e dispensadas em outro momento em leitos de rios ou em lugares onde ela possa ser dispensada.



O projeto do piscinão deve prever defesas para as estruturas de captação (Imagem: Divulgação DAEE)



Um problema relatado em relação aos piscinões é a aparição de resíduos sólidos, comumente dispensados nas ruas pela população. Dessa forma, forçam sistemas de prevenção na entrada da água e manutenção dos locais de armazenamento.


Existem muitas opções para lidar com a drenagem urbana, desde formas simples a serem aplicadas em nossas casas, por exemplo, até formatos mais complexos a serem implantados por empresas de saneamento.



Tipos de drenagem


Antes de instalar qualquer sistema de drenagem, é necessário que se tenha um projeto bem elaborado, bem como analisar as condições do terreno, reconhecimento e a delimitação da área que será drenada, o levantamento topográfico, estudo do lençol freático,o estudo do solo e sua condutividade hidráulica, uma descrição exata e minuciosa do lugar. 


Em seguida, analisar qual é o melhor espaçamento do tubos/canos para ser utilizado naquele determinado solo. Dentre os tipos de drenagem, de acordo com o  local onde a obra será executada, podemos citar:


  • Subterrânea: tem como objetivo descer o lençol freático até um nível que garanta a estabilidade das estradas e a segurança das construções;

  • Superficial: utilizada para terrenos planos, com capa superficial sustentável e subsolo rochoso ou argiloso impermeável, impede o encharcamento do terreno, evita a saturação do solo;

  • Vertical: é utilizada em terrenos planos quase sem declive para que a água drene, como nos pântanos. Pode dar saída às águas superficiais e subterrâneas, pelos poços verticais, fincados ou perfurados, tomando precauções para não ocasionar risco de contaminação das águas subterrâneas;

  • Elevação mecânica (bombas): utilizada quando o nível da água a ser bombeada é inferior ao nível do local ou quando o lençol freático do terreno é elevado.

 


Plano Diretor de Drenagem Urbana (PDDrU)


O Plano Diretor de Drenagem Urbana está definido no Estatuto das Cidades como instrumento básico para orientar a política de desenvolvimento e ordenamento da expansão urbana de um município, implementando medidas sustentáveis. 


O PDDrU é obrigatório em municípios que contêm mais de vinte mil habitantes, integrantes de regiões metropolitanas, com áreas de interesses turísticos ou regiões de influência de empreendimentos ou atividades com impacto ambiental significativo para a região ou país. Sua elaboração deve ser realizada pelo poder executivo com o legislativo, juntamente com participação da população. Tal participação é de extrema importância, e a população deve ser conscientizada e estimulada a colaborar para que o Plano Diretor corresponda a realidade e expectativas quanto ao futuro.


Dentre as funções do Plano Diretor, temos: Propiciar o crescimento e desenvolvimento econômico local em bases sustentáveis; garantir atendimento às necessidades básicas do cidadão (Ex.: saneamento, segurança e moradia); fazer cumprir o Estatuto da Cidade; garantir uma melhor qualidade de vida aos moradores; preservar e restaurar os sistemas ambientais; promover a regularização fundiária e consolidar os princípios da reforma urbana.




A importância da drenagem urbana para a população e o meio ambiente


Os efeitos negativos da chuva são mais visíveis em grandes centros por um motivo principal: a ocupação desordenada em áreas urbanas. À medida que a cidade cresce e se desenvolve, nascem áreas onde há maior aglomeração populacional e, por consequência, a impermeabilização do local, que impede a infiltração das chuvas no solo.


Além disso, vale lembrar que a obstrução de canais e galerias de lixo ocorrem com mais frequência em áreas de maior ocupação populacional, degradando o ambiente urbano, provocando alagamentos e ocasionando prejuízos materiais e humanos.Outros pontos, como o aumento da carga de poluentes em rios e lagos (levando doenças como dengue e leptospirose) e a erosão do solo, também demonstram a importância da drenagem urbana adequada.



Benefícios da drenagem urbana


Com uma série de benefícios para o meio ambiente, a população e o poder público ressaltam a importância da drenagem urbana. Dentre eles, podem ser citados:


  • Redução de custos em manutenção de vias públicas;

  • A possibilidade de circulação de veículos e pedestres em áreas urbanas após chuvas intensas;

  • Escoamento rápido das águas superficiais, facilitando o tráfego por ocasião das chuvas;

  • Valorização das propriedades nas áreas em que possuem sistema de drenagem;

  • Redução de danos às propriedades e risco de perdas humanas;

  • Redução de doenças de veiculação hídrica;

  • Eliminação de águas estagnadas e lamaçais, focos de doenças;

  • Redução de erosões e poluição de rios e lagos.



Fontes:

- RGS Engenharia

- Projetta Jr. | Engenharia civil

- EOS Consultores

- Andaluga



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