Redução de custos em edificações de saúde: contribuições da arquitetura e engenharia para um problema global



 Redução de custos em edificações de saúde: contribuições da arquitetura e engenharia para um problema global

A questão dos custos hospitalares ainda é uma abordagem pouco conhecida e recorrentemente explorada nas justificativas para os altos custos dos serviços de saúde em todo o mundo. Estudos realizados pela Federação Internacional de Hospitais apontam a gestão do edifício em toda a sua amplitude, desde a construção à gestão da operação, como item de alta relevância e de significativo impacto na composição dos referidos custos.

 

Em publicação realizada em 2014, o administrador hospitalar José Cléber Nascimento Costa comenta sobre o assunto: “Para um hospital ter qualidade, é importante manter equipes multiprofissionais, é vital ter equipamentos de última geração, mas não se admitindo atendimento impessoal, pois a tecnologia não substitui a pessoalidade do atendimento; é necessário também levar em conta, como atributo de qualidade, o preço médio cobrado pelos serviços”. (Arquitetura e Engenharia Hospitalar, Editora Rio Books, 2014, p. 346).

 

Dos dias 19 a 21 de abril de 2016, aconteceu em Genebra, Suíça, uma discussão importante em busca de soluções para reduzir os custos para construção e manutenção dos edifícios hospitalares sem, no entanto, interferir na sua qualidade assistencial, um tema de interesse para o futuro da saúde em todo o mundo. O workshop “Reduzindo os custos operacionais do Hospital através da qualidade do projeto” (Reducing hospital operating costs through better design), promovido pela União Internacional de Arquitetos (UIA) e a Federação Internacional de Hospitais (IHF), representou um passo intermediário no processo de desenvolvimento de um projeto significativamente mais complexo.

 

A proposta do encontro foi definir um programa operacional para redução de custos em edifíciospara serviços de saúde através da contribuição de especialistas de todas as regiões do planeta que possam contribuir com suas experiências e pesquisas para produzir as bases do conhecimento que possibilitem identificar situações críticas.

 

Dentre as muitas necessidades identificáveis que possam contribuir para esta finalidade, destaca-se a necessidade de produzir-se recomendações e conteúdos especialmente focados em ações para redução dos custos hospitalares, incluindo-se:

 

·         Custos da construção através de decisões provenientes do projeto;

·         Custos da gestão e da operação “in use”;

·         Manutenção e transformação das “facilities” do hospital.

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O termo facility, muito utilizado pelos países de língua inglesa, e até mesmo em Portugal, ainda não dispõe de uma palavra ou expressão que o defina inteiramente no Brasil, além de ter a palavra facilidade muito distante do seu amplo significado. Podemos aqui utilizar a referência para asinstalações, equipamentos e sistemas que compõem a edificação hospitalar. Pode significar todas as instalações prediais, especiais, sistemas de transportes verticais e horizontais e outros serviços que os edifícios de saúde requerem para o seu funcionamento.

 

Muito embora a tradução do termo "facility management" para a língua portuguesa não esteja ainda efetivamente padronizada há quem o utilize na sua integralidade criando um anglicismo.  AAssociação Brasileira de Facilities (ABRAFAC) traduz "facility management" como "atividade de administração e gerenciamento de serviços e atividades de infraestrutura destinados a suportar a atividade fim de uma organização". Já a Associação Portuguesa de Facility Management (APFM) apresenta o termo como "gestão integrada dos locais e ambientes de trabalho, com o objetivo de otimizar os espaços, os processos e as tecnologias envolventes”.

 

Os encontros e as reuniões realizadas e previstas propõem-se, portanto, a elaborar e apresentar um produto final que auxilie no “desenvolvimento de orientações e recomendações destinadas a orientar o projeto para as soluções que contêm os custos do investimento inicial, bem como conter as despesas durante o uso, gestão e manutenção das Instalações”.

 

Algumas inovações de processos passam a ser recomendadas com ênfase na participação do cliente em decisões que envolvem o conhecimento de todas as etapas da concepção projetual à gestão do edifício.

 

Um aspecto importante a ser considerado nas ações propostas será a vinculação aos distintos contextos socioeconômicos e sistemas de saúde dos diferentes países envolvidos no projeto. Conhecer e adotar processos de desenvolvimento de projetos compatíveis com as especificidades de cada etapa da construção e da gestão funcional. Os participantes dos estudos iniciais recomendaram a adoção estratégica das seguintes fases em que é possível ter impacto na redução de custos:

 

·         Técnica de custos/taxas/tributos;

·         Valor do trabalho (custos da construção);

·         Custos “in-use”;

·         Custos de manutenção;

·         Gestão de custos;

·         Custos de demolição;

·         Custos de mobilidade e infraestrutura;

·         Custo de sustentabilidade.

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Há uma expectativa no cenário internacional sobre os resultados e sobre as possíveis contribuições que esse encontro e suas propostas possam apresentar para a economia e qualidade dos edifícios de atenção à saúde sem que, no entanto, possam comprometer a qualidade dos respectivos serviços.

Um bom desafio!

 

Publicado em: Revista HealthArq, Ano 5, Edição 17, setembro/outubro/novembro, 2015/6, página 22-23.

Acesso realizado em: https://issuu.com/grupomidia/docs/healtharq_17ed_site


Fábio Bitencourt

Professor INBEC

Educar, formar e preparar Profissionais dentro das normativas aplicáveis ao ensino superior.