A importância dos forros na proteção passiva contra incêndios



A importância dos forros na proteção passiva contra incêndios
(Foto: ArchDaily Brasil/Reprodução)
 

Na proteção passiva contra incêndio, os forros são considerados mais um revestimento, juntamente com estruturas de suporte, fixações e outros materiais de isolamento. Geralmente, comete-se o erro de não considerá-lo como um elemento estrutural, mas como uma superfície que oculta a parte inferior da estrutura da cobertura ou o piso de um andar superior.

 

Os forros podem ser ancorados diretamente a um elemento estrutural, suspensos no teto ou autoportantes, e contribuem para a compartimentalização horizontal de uma sala específica. No entanto, este elemento horizontal é extremamente importante porque evita a propagação de fogo e gases quentes de um andar para o outro, possibilitando tempo para as pessoas localizadas na parte mais alta de um edifício - o mais perigoso em caso de incêndio - escaparem com segurança.

 

 

Como escolher a melhor proteção passiva para os forros?

 

Existem várias configurações de forros, com diferentes escopos e usos pretendidos, que podem aumentar a segurança de um edifício. A escolha correta baseia-se, primeiro, na classificação da 'proteção contra incêndios' necessária para o compartimento e na extensão do forro (contribuição à 'resistência ao fogo' do elemento existente ou do forro com classificação 'à prova de fogo'), além de aspectos acústicos e estéticos.

 

Como regra geral, o forro deve ser instalado conforme descrito no relatório do teste ou certificado contra incêndio, incluindo o sistema de suspensão e as fixações a serem usadas. Além disso, deve considerar-se que a área das luminárias ou outro equipamento não excede a área descrita no documento oficial. Em outras palavras, se o certificado do forro foi testado com uma luminária a cada 10 m², essa proporção deve ser respeitada na instalação final. Se o certificado não indicar o uso de luminárias ou outras perfurações, elas não devem ser realizadas.

 
(Foto: ArchDaily Brasil/Reprodução)

 

 

Tipos de forros para proteção passiva

 

Essencialmente, existem quatro tipos básicos de forros que contribuem para a estratégia de proteção contra o fogo:

 

 

1.    Forros não-combustíveis ou com baixa carga combustível

 


(Foto: ArchDaily Brasil/Reprodução)
 

O objetivo principal de um forro é evitar a propagação de chamas para o teto e limitar a contribuição de carga de material combustível na sala ou compartimento. Estes são classificados de acordo com os padrões locais de 'tempo de resistência ao fogo', medidos em minutos, de cada um dos seus elementos (por exemplo, F-60). A reação ao fogo está intimamente relacionada com a combustibilidade e inflamabilidade de um material e como ele contribui para o crescimento do fogo.

 

Considerando o acima exposto, a melhor classificação que você pode ter é 'não combustível' (classificação A1 segundo Euroclass, ou equivalente). O sistema de classificação da União Europeia para a fabricação de produtos em conformidade com a norma EN 13501-1 contém 7 classificações (A1, A2, B, C, D, E, F), com base em diferentes testes e 'cenários de referência'. Por si só, esses produtos não contribuem para a estratégia de proteção passiva ao fogo, embora possam ser considerados em uma possível estratégia de 'prevenção de incêndios'.

 

O forro que é classificado apenas de acordo com a sua 'reação ao fogo' não pode ser usado para aumentar a resistência ao fogo dos elementos do compartimento. Os forros usados para proteger o edifício do fogo podem ser incombustíveis, combinando 'proteção contra incêndio' com 'prevenção contra incêndios'.

 

 

2.    Forros suspensos, que contribuem para a resistência ao fogo dos elementos que suportam cargas (sistemas de proteção)


(Foto: ArchDaily Brasil/Reprodução)
 

Estes forros, também chamados de 'membranas protetoras horizontais', têm a capacidade de contribuir à 'resistência ao fogo' dos componentes estruturais horizontais do edifício em 1 hora, 2 horas ou mais (R60 - R120). Mais especificamente, a 'resistência ao fogo' do elemento de carga protegido pelo forro pode ser classificado de acordo com a temperatura no interior da cavidade ou no próprio elemento (na Europa, a norma de teste é a EN 13381-1).

 

Estes tipos de forros são utilizados principalmente para a proteção de vigas de aço que comportam lajes de concreto, pisos de madeira, entre outros.

 

A vantagem desses forros é que eles são considerados elementos de proteção, portanto, podem ser usados para a proteção de diferentes elementos de carga de combustível, com um amplo campo de aplicação direta.

  

3.    Forros como componente de tetos com 'classificação anti-incêndio', com ou sem cavidades

 


(Foto: ArchDaily Brasil/Reprodução)
 

Estes forros são considerados como parte de todo o sistema (coberturas ou lajes + coberturas) e sua classificação de fogo é válida se considerada toda a construção portante (idêntica ou similar à testada). Portanto, a classificação é obtida por todos ou por um sistema, compostos pela estrutura anterior, o mecanismo de suspensão ou fixação e, finalmente, a membrana ou teto mais baixo. Neste caso, o forro é definido como: forro mais qualquer estrutura de suporte, incluindo prendedores, fixações e materiais isolantes.

 

O forro pode ser fixado diretamente ao membro estrutural, suspenso dele ou ser autoportante. Se estiver suspenso, a altura da cavidade (o espaço entre a superfície superior do telhado e a parte inferior de qualquer piso, telhado ou estrutura de suporte) é extremamente importante, o que deve ser - pelo menos - tão alto quanto o que é provado: é possível aumentar, mas não diminuir.

 

Neste caso, a integridade, isolamento e capacidade de carga (REI) do sistema completo de cobertura, incluindo o forro, devem ser testados. Em relação ao membro estrutural do edifício, seus momentos máximos e suas forças cortantes não devem ser maiores que as testadas. Nenhum material combustível ou isolante pode ser adicionado à cavidade, a menos que a mesma quantidade (em termos de carga de incêndio) tenha sido incluída no teste de incêndio. Na Europa, esses sistemas de teto ou piso são testados de acordo com a norma EN 1365-2.

 

Geralmente, esses sistemas atingem até 120 minutos de resistência ao fogo (REI 120) ou até 180 minutos (REI 180) para lajes de concreto.

 

 

4.    Forro independente

 


(Foto: ArchDaily Brasil/Reprodução)
 

Este forro é definido como um "elemento sem carga, projetado para fornecer separação horizontal em caso de incêndio", tem uma classificação independente de resistência ao fogo, e é usado para fornecer proteção contra ataques de fogo abaixo e / ou acima. Em outras palavras, estes forros possuem uma resistência intrínseca ao fogo, independente de qualquer elemento de construção localizado sobre eles.

 

Os forros independentes podem ser suspensos por prendedores, fixados diretamente a uma armação de suporte ou podem ser autoportantes. Em qualquer forma, o sistema completo (forro + componentes de suspensão / fixação) é necessário para fornecer desempenho de integridade e isolamento, independente da construção do piso de suporte (geralmente EI 60 ou EI 120).

 

Esses sistemas de forro permitem proteção para ou a partir dos elementos ou instalações contidas no espaço ou cavidade. Mais especificamente, deve proteger do fogo os serviços localizados no espaço vazio da sala, ou sua resistência ao fogo pode ser necessária para salvaguardar sua parte inferior da queima de cabos elétricos e outros serviços localizados dentro do forro suspenso (atuando em ambas as direções).

 

Como podem atuar como uma partição horizontal, eles também fornecem proteção contra incêndios para qualquer elemento de carga que esteja sobre eles, quando o fogo vier de baixo.

 

É importante ressaltar que em todos esses casos, a contribuição à resistência ao fogo só é válida se o sistema for instalado exatamente como nos testes de incêndio, incluindo o sistema de suspensão, as juntas entre a membrana e as paredes/ painéis de borda, juntas e materiais de colagem.


  

Fonte:

- ArchDaily Brasil


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