No Dia Mundial da Água, veja como economizar seu consumo em casa e os desafios da sua conservação no Brasil



No Dia Mundial da Água, veja como economizar seu consumo em casa e os desafios da sua conservação no Brasil

No dia 22 de março, é celebrado o Dia Mundial da Água. É nesta data, assim como em outras ocasiões, que inúmeras campanhas de impacto, originadas de diversos setores da sociedade e do mundo empresarial, começam a ganhar destaque nos noticiários e espaços de publicidade.

 

A despeito desta abordagem responsável e consciente sobre o tema, cabe refletirmos, em âmbito coletivo, se todos os setores sociais estão demonstrando, de forma objetiva e prática, como contribuem para a preservação desse bem tão vital para o planeta.

 

O Dia Mundial da Água foi instituído pela Organização das Nações Unidas - ONU, através da resolução A/RES/47/193 de 21 de fevereiro de 1993, determinando que o dia 22 de março seria a data oficial para comemorar e realizar atividades de reflexão sobre o significado da água para a vida na Terra.

 


 

Neste mesmo dia, a ONU lançou a Declaração Universal dos Direitos da Água, que apresenta entre as principais normas:

 

·         A água faz parte do patrimônio do planeta;

·         A água é a seiva do nosso planeta;

·         Os recursos naturais de transformação da água em água potável são lentos, frágeis e muito limitados;

·         O equilíbrio e o futuro de nosso planeta dependem da preservação da água e de seus ciclos;

·         A água não é somente herança de nossos predecessores; ela é, sobretudo, um empréstimo aos nossos sucessores;

·         A água não é uma doação gratuita da natureza; ela tem um valor econômico: precisa-se saber que ela é, algumas vezes, rara e dispendiosa e que pode muito bem escassear em qualquer região do mundo;

·         A água não deve ser desperdiçada nem poluída, nem envenenada;

·         A utilização da água implica respeito à lei;

·         A gestão da água impõe um equilíbrio entre os imperativos de sua proteção e as necessidades de ordem econômica, sanitária e social;

·         O planejamento da gestão da água deve levar em conta a solidariedade e o consenso em razão de sua distribuição desigual sobre a Terra.

  

De acordo com o Estudo Global sobre Cuidados Domésticos realizado pela consultoria Nielsen, 1 em cada 3 entrevistados limpam suas casas diariamente e 31% lavam roupas todos os dias. No entanto, sabemos que essa rotina de cuidados domésticos provoca impactos sobre o meio ambiente e a água que consumimos.

 

Os consumidores que buscam por produtos eficazes na limpeza e que contribuam com a economia de água e energia podem encontrar desde produtos biodegradáveis, ​​formulados com ingredientes que minimizam a contaminação da água e reduzem o dano nos ecossistemas fluviais, assim como soluções concentradas, que podem economizar até 25% de água em seu processo de produção, sem falar da melhor eficiência na etapa de transporte.

  

Algumas dicas para cuidar da água ao lavar roupas e limpar a casa:

 

- Procure por detergentes biodegradáveis ​​para lavar roupas e louças

A maioria dos detergentes tem agentes quelantes que ajudam a remover manchas mais difíceis, como graxa, gordura, leite e tinta. No entanto, muitos produtos usam agentes quelantes que contêm fosfatos e são prejudiciais à saúde humana e ao meio ambiente. Os fosfatos são eliminados pelo encanamento, contaminando a água dos rios. Sua presença gera um crescimento excessivo de algas e um aumento no consumo de oxigênio da água, o que prejudica a vida aquática e o equilíbrio ecológico dos rios, causando a morte de plantas e animais.

Uma alternativa mais ecológica é o uso de quelantes sem fosfatos e com alto poder de limpeza, contribuindo com o equilíbrio dos ecossistemas.

 


- Escolha lava-roupas que reduzam os ciclos de lavagem das roupas

Normalmente, separamos nossas roupas entre peças brancas e coloridas para evitar manchas. Isso nos leva a aumentar o número de lavagens, consumindo mais água e energia. No entanto, existem produtos cujas fórmulas contêm um inibidor de transferência de cor e impedem a coloração dos tecidos brancos, permitindo que todas as roupas sejam combinadas em uma única lavagem.

Por exemplo, em um estudo da Fundação Espaço ECO (FEE®), o ativo Sokalan HP 56, da BASF, aplicado em detergentes líquidos ou em barra e que atua como inibidor de transferência de cor reduz em 20% o impacto ambiental da lavagem de roupas. Como resultado, a quantidade de água consumida por uma casa com quatro pessoas em um ano diminui em 1.100 litros, que equivale ao consumo diário de água de cinco pessoas ou 100 lavagens em uma máquina de lavar louça ou 12 quilos de carbono para a atmosfera.


 

- Procure produtos que eliminem micróbios em uma única lavagem

As bactérias presentes na pele podem gerar maus odores em nossas roupas, principalmente naquelas que usamos para realizar atividades físicas. Detergentes para a roupa com um alto espectro de proteção antibacteriana evitam a proliferação de microrganismos e, consequentemente, de odores desagradáveis nas roupas.

Esse tipo de inovação nas fórmulas dos produtos é ainda mais relevante se observarmos que 74% dos consumidores da América Latina usam máquinas de lavar e apontam como atributos necessários a alta eficiência (61%) e a preservação da cor (48%), de acordo com o estudo da Nielsen.



  

Falta de saneamento

 


Um dos maiores vilões da qualidade da água no Brasil é a oferta de saneamento básico. Pouco mais da metade da população brasileira, 52,4%, tinha coleta de esgoto em 2017, e apenas 46% do esgoto total é tratado, de acordo com o SNIS.

 

Dessa forma, um grande volume de esgoto não coletado ou não tratado é despejado em corpos d'água, provocando problemas ambientais e de saúde. Não só a carência de coleta e de tratamento de esgoto é problemática, mas também a poluição causada por indústrias e pela agricultura, como o lançamento de agrotóxicos.

  


Desmatamento, em especial no Cerrado


 (Foto: InfoEscola/Reprodução) 

 

O desmatamento de matas ciliares, que acontece em todas as bacias hidrográficas do Brasil, altera a quantidade e a qualidade dos corpos hídricos. Essa vegetação protege o solo, ajuda na infiltração da água da chuva e na alimentação do lençol freático e permite a recarga dos aquíferos.

 

Sua retirada aumenta o assoreamento, a perda do solo, a erosão e a taxa de evaporação da água. Segundo José Francisco Gonçalves Júnior, professor do Departamento de Ecologia da Universidade de Brasília (UnB), todos esses impactos reunidos podem levar a uma indisponibilidade natural de recursos hídricos.

 

Em outra frente, o desmatamento do Cerrado, considerado a "caixa d'água do Brasil" por causa de sua posição estratégica na formação de bacias hidrográficas, vem sendo devastado pela expansão da fronteira agrícola. "Qualquer alteração no Cerrado pode levar a uma degradação de inúmeras bacias hidrográficas de extrema relevância para obtenção de recursos hídricos brasileiros", afirma Gonçalves.

 

Para o professor, o uso do solo do bioma teve um efeito positivo na produtividade agrícola, mas a falta de uma regulação mais firme tem levado a uma superexploração, com vários danos. "Perda de território, de recarga de aquíferos, uma perda muito grande de nascentes e uma degradação e diminuição da disponibilidade de água", enumera.

 

 


Desperdício e perdas na distribuição de água


 

As perdas físicas e comerciais de água são outro grande problema. Elas são causadas por vazamentos nas tubulações, fraudes e erro de leitura nos hidrômetros e ficaram em torno de 38%, em média, em 2017, de acordo com o SNIS. A média em países desenvolvidos é inferior a 20%.

 

Um estudo conduzido pelo Instituto Trata Brasil em parceria com a consultoria GO Associados revelou que o volume desperdiçado equivale a cerca de sete mil piscinas olímpicas por dia e representa prejuízos da ordem de R$ 10,5 bilhões anuais.

 

A ineficiência se reflete na tarifa, cria uma demanda artificial de água na natureza para compensar as perdas e traz outras consequências.  

 


Mudanças climáticas


 

Um agravante para a conservação da água são as mudanças climáticas, que podem provocar alterações no regime de chuvas. Essa é uma das alterações previstas pelo Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), assim como uma maior duração dos períodos de secas e com temperaturas mais altas.

 

As chuvas que se infiltram no solo são as de baixa intensidade e de tempo prolongado, eventos que estão ficando mais raros. Quando uma grande quantidade de chuva cai em um pouco tempo, há uma tendência ao escoamento superficial porque o solo atinge sua capacidade de saturação e para de absorver.

 

 


Agronegócio


 

Quando adentramos a cadeia produtiva do agronegócio, por exemplo, podemos enxergar diversos métodos e tecnologias, amplamente adotados por empresas e agricultores, que vão ao encontro do uso racional e sustentável da água.

 

Porém, em proporções semelhantes, ainda vemos muita desinformação e nos devidos esclarecimentos ao grande público, especialmente àquele geograficamente mais distante da realidade e cotidiano agrícola. Em linha com a missão permanente de alimentar o mundo, o agro é peça fundamental para uma gestão hídrica cíclica e responsável.

 

Dentre estas práticas, um dos grandes exemplos que podemos destacar dentro de nosso cotidiano operacional é a presença das Bacias de Emergência, projetadas para coleta, análise e tratamento (quando necessário) de águas pluviais na área externa das fábricas.

 

Neste sistema, o volume dos primeiros minutos de chuva que atinge o solo é conduzido ao compartimento de acesso às bacias, onde uma amostra da água é coletada e direcionada para análise laboratorial antes de ser destinada a rios e correntes fluviais nos arredores. Caso os parâmetros aceitáveis para a presença de resíduos sejam ultrapassados, esta água é remetida ao processo de tratamento ou incineração.

 

É válido ressaltar que as bacias de emergência, para a grande maioria dos casos funcionam como medida de proteção complementar (adicionalmente aos diques de contenção primária). Cabe ressaltar que a água coletada pelas bacias de emergência, ainda que desprovidas do risco de contaminação não é utilizada, em nenhuma circunstância, na composição ou condução de qualquer material produzido pela empresa.

 

Diante de grandes desafios a serem encarados dentro da escala produtiva nacional, é fundamental que as indústrias e empresas do setor logístico e de estocagem dos produtos estabeleçam regras e parâmetros estritos de segurança operacional capazes de produzir resultados e exemplos de eficiência em infraestrutura sustentável e não-agressiva ao meio ambiente.

 

É com esta mesma água, lembrada nesta data, que podemos definir rumos e caminhos bem delineados para a manutenção não apenas de nossa existência, mas também com a harmonia e interdependência de nosso bioma na Terra.

  


Conscientização


 

A conscientização sobre a urgência da economia deste recurso natural é uma das principais metas desse dia. A água limpa e potável é um direito humano garantido por lei desde 2010, de acordo com a Organização das Nações Unidas – ONU.

  

Fontes:

- Dia Mundial da Água

- Os desafios da conservação da água no Brasil

- Dia Mundial da Água

- Dia Mundial da Água – A indústria e a gestão hídrica eficiente e sustentável

- Dia mundial da água: Três dicas para reduzir o consumo de água na limpeza doméstica

    


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