Bioconstrução: preocupação ecológica presente da concepção à ocupação



Bioconstrução: preocupação ecológica presente da concepção à ocupação
Casa com telhado verde e vegetação ao redor (Foto: Viva Decora Pro/Reprodução)
  

Bioconstrução e Construção Sustentável apesar de estarem ligadas, apresentam conceitos distintos

 

O termo Bioconstrução se refere às construções onde a preocupação ecológica está presente desde sua concepção até sua ocupação. Combina técnicas milenares com inovação tecnológica, garantindo a sustentabilidade não só do processo construtivo como também do período pós ocupação de casas e edifícios.

 

Os profissionais responsáveis pela execução da obra devem pensar em detalhes que prevaleçam a preservação do meio ambiente como uso de matérias-primas recicladas ou naturais disponíveis no local da obra evitando assim a queima do gás carbônico no momento do transporte, gestão e economia de água tais como reuso ou aproveitamento da água da chuva, fontes alternativas de energia como aquecimento solar e energia eólica, coleta seletiva e reciclagem de lixo, utilização de palha ou bambu.

 


Telhado inclinado com beiral grande (Foto: Viva Decora Pro/Reprodução)
 

A terra, quando utilizada, deve ser a da própria propriedade da construção.

 

O objetivo é que a construção seja menos tóxica e invasiva para os moradores. A Bioconstrução abrange uma série de tecnologias e a viabilidade ecológica, econômica e social e sua aplicação depende, principalmente, da avaliação do local da obra.

 

Já a Construção Sustentável, baseia-se no desenvolvimento de modelos que permitam à Construção Civil enfrentar e propor soluções aos principais problemas ambientais de nossa época, sem renunciar à moderna tecnologia e a criação de edificações que atendam às necessidades de seus usuários.

 

O projeto sustentável, por ser interdisciplinar e ter premissas mais abrangentes, garante maior cuidado com as soluções propostas tanto do ponto de vista ambiental como dos aspectos sociais, culturais e econômicos. O resultado final dessa nova Arquitetura ecológica, verde e sustentável proporciona grande vantagem aos consumidores, garantindo o bem-estar do usuário.

 

Os principais benefícios são:

·         Redução dos custos de investimento e de operação;

·         Imagem, diferenciação e valorização do produto;

·         Redução dos riscos;

·         Mais produtividade e saúde do usuário;

·         Satisfação de fazer a coisa certa.

 

A Bioconstrução também é uma forma de Arquitetura Social. As comunidades que têm acesso a essa técnica podem criar moradias confortáveis e seguras sem depender totalmente de pessoas de fora ou de grandes investimentos.

 


Casa de superadobe (Foto: Viva Decora Pro/Reprodução)
 

A união dos moradores é uma das características mais importantes da Bioconstrução. Além de ajudar na redução de custos com a mão de obra, a atividade agrega conhecimento e integra a comunidade.


  

Permacultura e a Bioconstrução

 

A Bioconstrução está diretamente ligada à Permacultura. Trata-se de uma atividade, considerada por muitos como uma filosofia de vida, que procura produzir recursos básicos para o ser humano sem agredir a natureza.

 

A Permacultura consiste no planejamento e execução de ocupações humanas sustentáveis, unindo práticas ancestrais aos modernos conhecimentos das áreas, principalmente, de ciências agrárias, Engenharias, Arquitetura e ciências sociais, todas abordadas sob a ótica da ecologia.

 

Segundo Bill Mollison, a Permacultura consiste na ‘elaboração, implantação e manutenção de ecossistemas produtivos que mantenham a diversidade, a resiliência, e a estabilidade dos ecossistemas naturais, promovendo energia, moradia e alimentação humana de forma harmoniosa com o ambiente (Bill Mollison, 1999)

 


Casa de pedras, terra e madeira (Foto: Viva Decora Pro/Reprodução)
 

A Permacultura é trabalhar com a natureza, e não contra ela. É olhar os sistemas em todas as suas funções ao invés de tirar apenas um fruto deles, e de permitir que os sistemas demonstrem sua própria evolução.

 

Segundo Rosemary Morrow, os principais aspectos da Permacultura podem ser resumidos assim:

 

·         É um sistema para a criação de comunidades humanas sustentáveis que integra design e ecologia.

·         É uma síntese do conhecimento tradicional e da ciência moderna, aplicável a situações urbanas ou rurais.

·         Toma os sistemas naturais como modelo e trabalha com a natureza para projetar ambientes sustentáveis que possam prover as necessidades humanas básicas, bem como as infraestruturas que as apoiam.

·         Estimula a nos tornamos parte consciente de soluções frente aos inúmeros problemas que enfrentamos local e globalmente.

 

A Permacultura foi criada nos anos 70 na Austrália, por Bill Mollison e David Holmgren. Desde lá, o termo evoluiu, recebeu diversas influências, e hoje abriga uma grande multidisciplinaridade.

  


Quais são as etapas de um projeto de Bioconstrução?



Casa de cob com janelas de vidro (Foto: Viva Decora Pro/Reprodução)
 

Uma das primeiras etapas de um projeto de Bioconstrução é entender quais são os materiais disponíveis na região e de que forma eles podem ser aproveitados.

 

Deve-se levar em conta o clima, o tipo de solo, localização do terreno, entre outros fatores. Por exemplo: um projeto de Bioconstrução realizado na região sul do Brasil deve ter materiais e técnicas diferentes de uma moradia construída no Nordeste.

 

Os recursos podem ser a madeira, o bambu, o barro, entre outros. Nesse momento, a ajuda de profissionais é necessária para que se encontre a melhor técnica.

  


Gerenciamento de tratamento de resíduos

 


Casa de adobe e telhado verde (Foto: Viva Decora Pro/Reprodução)
 

Em um projeto de Bioconstrução são considerados resíduos restos de comida, lixo seco (plástico, papéis, latas), água, restos da obra e até mesmo a urina e fezes dos moradores.

 

Esses materiais podem ser reaproveitados para gerar novos recursos para os moradores, em um ciclo fechado.

 

Um exemplo de aproveitamento de resíduos na construção são os sanitários secos. Nesse processo, as fezes viram adubo, que podem alimentar uma horta e gerar alimento para os moradores, por exemplo.

 

A reutilização da água da pia, do chuveiro ou de cisternas serve para regar essas plantas. Essa é uma opção interessante para regiões em que não existe um saneamento básico adequado.

  


Cuidados com o conforto térmico e proteção da chuva


 

Casa com superadobe (Foto: Viva Decora Pro/Reprodução)
 

As casas com Bioconstrução são feitas com vários materiais permeáveis como adobe, madeira, bambu, entre outros. Diante desse contexto, os profissionais envolvidos devem estudar o melhor tipo de telhado para evitar a infiltração da água da chuva.

 

É recomendado construir casas com telhados bem inclinados e beirais grandes para facilitar o escoamento da água.

 

Em regiões com calor intenso, um telhado verde pode ajudar a deixar a temperatura dentro de casa mais amena. Outra opção é criar aberturas que permitam uma maior circulação de ar.

 

A vegetação local também ajuda nesse sentido. Árvores e plantas ao redor da casa criam um microclima de umidade, deixando o mais fresco.

  


Algumas das técnicas de Bioconstrução são

 


Casa com superadobe e janelas redondas (Foto: Viva Decora Pro/Reprodução)
 

·         Terra: Pau-a-pique, Adobe, Super-Adobre, Cob, Taipa de pilão, Solocimento, Ferrosolocimento,

·         Fibras renováveis: Palha, Fardo Palha, Bambu

·         Coberturas vegetais

·         Ecossaneamento: Círculo de Bananeiras, Bacia de Evapotranspiração

·         Mosaicos: reutilizando materiais disponíveis

  

 

Brasileiro é finalista em prêmio global de Bioconstrução

 


(Foto: Hypeness/Reprodução)
 

A Construção Civil é um dos setores que mais causam impactos ambientais. Não é à toa que estão surgindo cada vez mais iniciativas de Bioconstrução, como a do arquiteto brasileiro Bernardo Andrade – um dos cinco finalistas da América Latina e Caribe do prêmio global Jovens Campeões da Terra.

 

Usando a Bioconstrução para reduzir os impactos ambientais da construção civil no Semiárido brasileiro, ele criou um protótipo chamado “Casa do Semiárido”, de baixo custo, que utiliza recursos locais, como madeira e terra, e se adapta às necessidades específicas desse bioma

 

Ocupando cerca de 18% do território nacional, a população do semiárido brasileiro é a que mais enfrenta desafios ambientais, com ciclos de chuva escassos, solos degradados e altas temperaturas. São iniciativas como a de Bernardo que podem ajudar a amenizar o impacto destas características locais — e ainda gerar benefícios para as pessoas e o meio ambiente.

 

Seu modelo foi pensado para minimizar o uso de recursos, reutilizar água e materiais e integrar práticas agrícolas regenerativas e sustentáveis: “A escassez de água é provavelmente o maior problema do Semiárido. Assim, ao planejarmos a casa modelo, pensamos em expandir os reservatórios tradicionais de captação de água. Também criamos mecanismos para armazenar e reutilizar este recurso, separando a água destinada às pias e chuveiros (água cinza) daquela que abastece a descarga de vasos sanitários”, explicou à ONU Meio Ambiente.

 

Além das técnicas inovadoras, ele afirma que pretende criar um manual didático para que possa transmitir às comunidades locais os conhecimentos e técnicas implementados. Segundo o jovem, desafios ambientais podem ser resolvidos através da intervenção e boa vontade humana.


 


Fontes:

- IPOEMA - Conceitos da permacultura

- IPOEMA - Conceitos de bioconstrução

- BIO CONSTRUÇÃO

- Brasileiro é finalista em prêmio global de bioconstrução

- VIVA DECORA PRO

-  ECOCASA

   


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