Paraná terá 1ª rodovia de concreto projetada em BIM



Paraná terá 1ª rodovia de concreto projetada em BIM
Tecnologia whitetopping permite que o pavimento de concreto use o asfalto deteriorado como base na restauração de rodovias (Foto: Guilherme Zimermann - Arquivo/RBJ)



O trecho de 59 quilômetros e 55 metros da rodovia estadual PRC-280, entre o município de Palmas-PR e o entroncamento com a BR-153, será o 1º do Paraná a receber pavimento de concreto projetado com a tecnologia BIM (Building Information Modeling). Desde 2019, o estado só aceita projetos rodoviários apresentados dentro da ferramenta. Porém, nenhum até agora havia contemplado o revestimento rígido.


A metodologia permite “construir virtualmente”, fazer as devidas correções e depois executá-la no local da obra. A expectativa do governo do Paraná é que o trecho sirva de referência para outras obras rodoviárias no estado. “Estamos apostando em um modelo mais transparente de execução. É uma modelagem para o que planejamos para o futuro das obras no Paraná”, acrescenta o secretário estadual de infraestrutura e logística, Sandro Alex.


O diretor-geral do DER-PR (Departamento de Estradas de Rodagem do Paraná), Fernando Furiatti Saboia, reforça essa visão do governo estadual. “A restauração com pavimento de concreto garante uma pista em excelentes condições e custará menos do que uma restauração com pavimento asfáltico, que exigiria reparos em toda a base. Outra grande vantagem é que o pavimento de concreto tem uma vida útil muito maior e exige menos serviços de conservação. Esta obra poderá servir de exemplo para iniciativas semelhantes no futuro”, diz.


No traçado será usada a tecnologia whitetopping (concreto sobre asfalto). As placas terão espessura de 22 centímetros e a vida útil mínima do pavimento está prevista para 20 anos. A rodovia também terá alargamento de 40 centímetros em cada lado. O custo da obra será 10,92% menor do que o orçado com pavimento asfáltico. O valor final da licitação é de 106 milhões e 890 mil reais, enquanto o orçamento estipulado nos estudos de viabilidade era de 120 milhões de reais.



Whitetopping proporciona uma obra rápida, com custo menor e mais sustentável



Estado atual da PRC-280, no trecho próximo de Palmas-PR: pavimento asfáltico não suporta volume do tráfego pesado que passa diariamente pela rodovia (Crédito: @PRC280 - Engenharia Compartilhada/Reprodução)


A PRC-280 é o principal corredor do sudoeste do Paraná, escoando as produções agrícola e madeireira da região. Segundo dados do DER-PR, diariamente passam 1.826 veículos pesados pelo trecho a ser restaurado. Por isso a opção pelo pavimento rígido. Segundo o gerente da regional sul da ABCP (Associação Brasileira de Cimento Portland), o engenheiro civil Alexsander Maschio, a opção pela tecnologia whitetopping proporciona uma obra rápida, com custo menor e mais sustentável.


“O whitetopping é uma tendência, pois a partir desta tecnologia é possível utilizar o pavimento remanescente, deteriorado, como fundação do novo pavimento. Isso reduz custos, otimiza prazos e proporciona uma solução mais sustentável do ponto de vista ambiental, pois não tem bota-fora e remoção. Diria que o whitetopping é a melhor alternativa para a restauração das rodovias brasileiras atualmente”, explica.


Alexsander Maschio também destaca que o trecho da PRC-280 será o maior sob a gestão do DER-PR a receber pavimento de concreto no Paraná. No entanto, sob a jurisdição do DNIT (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes), há outro traçado longo no estado. Trata-se do trecho da BR-163, entre Cascavel-PR e Marmelândia-PR, com 70 quilômetros de extensão. Por isso, o engenheiro civil reforça o trabalho da ABCP nessas conquistas. “A ABCP tem atuado junto aos organismos públicos para desmistificar questões ligadas ao pavimento de concreto, principalmente no que diz respeito ao custo e ao processo executivo”, completa.



Paranacidade fortalece a adoção da metodologia BIM para obras públicas



(Imagem: Paranacidade/Reprodução)


O Serviço Social Autônomo (Paranacidade) deu um grande passo, em outubro de 2020, no fortalecimento do uso da metodologia BIM nos projetos que analisa e faz o acompanhamento de execução das obras autorizadas pela Secretaria do Desenvolvimento Urbano e de Obras Públicas (SEDU). Todas realizadas com a liberação de recursos do Tesouro do Estado ou do Sistema de Financiamento aos Municípios (SFM). Em  reunião técnica, foi apresentado o Plano de Implantação que inclui a internalização dos processos e posterior multiplicação das informações e sensibilização das equipes técnicas das Prefeituras do Paraná.


“Esse foi mais um avanço na consolidação do novo Paranacidade, com o crescente domínio de tecnologia de ponta e a melhoria na qualidade dos serviços, com padrão de excelência. Vínhamos nos preparando para esse salto desde o início de 2019 e avançamos muito durante a pandemia com a implantação de inúmeros procedimentos em trabalho remoto. Agora, o objetivo é transformar o Paranacidade em referência, no Estado, também na tecnologia BIM”, disse o superintendente executivo, Álvaro Cabrini.


O QUE É BIM –  Conhecida como “Building Information Modeling”, o BIM é uma metodologia aplicada ao processo de concepção de anteprojetos, construção virtual e simulação de edificação, cronograma, orçamento, elaboração de projetos básico, executivo, e documentação para a contratação e execução de uma obra. Permite também fazer o acompanhamento da construção, o histórico de adequações e o gerenciamento de ativos.


Na prática, permite em um modelo virtual a incorporação de todos os projetos necessários a uma mesma obra para a identificação de eventuais inconsistências. Dessa forma, é possível fazer todas as correções necessárias até antes do início da obra física, o que resulta em ganhos financeiros, mais qualidade e maior precisão no cumprimento do cronograma. “Dentro da atuação do Paranacidade, a metodologia pode ser aplicada tanto para edificações como para infraestrutura urbana, com muitas vantagens se comparada aos sistemas tradicionais”, disse o analista de desenvolvimento municipal e integrante do Núcleo Bim do Paranacidade David Piovezan Pierin, durante a apresentação do Plano.


PRAZOS – A metodologia foi adotada desde 1º de janeiro de 2021 nos projetos executados com recursos do Governo Federal, por força dos Decretos Federais 10.306/2020 e 9983/2019. Em 15 de outubro de 2019, o governador Carlos Massa Ratinho Junior assinou o Decreto Estadual que estabelece o prazo de até 2022 para o desenvolvimento de Planos Institucionais para a implantação dos procedimentos BIM em obras públicas, além da definição e o desenvolvimento de projetos piloto.


O Plano do Paranacidade prevê, em uma primeira etapa, a aquisição de equipamentos e softwares e a capacitação do seu corpo técnico em todos os seus Escritórios Regionais. Em seguida, terá início o trabalho de sensibilização junto aos corpos técnicos das Prefeituras para estimular processos semelhantes nas suas administrações, a identificação de Municípios interessados em desenvolver projetos pilotos em parceria com o Paranacidade.


“A ideia é desenvolver o projeto do início até a conclusão da obra”, destacou o analista de desenvolvimento municipal, Fernando Caetano. De acordo com Álvaro Cabrini, “as Prefeituras poderão obter os recursos do Tesouro do Estado, ou de financiamento, para esses projetos e também para a aquisição de softwares e para a capacitação de seus técnicos”. Participaram da elaboração do documento, os analistas de desenvolvimento municipal do Paranacidade: arquiteto David Piovezan Pierin, arquiteto Fernando Domingues Caetano, engenheiro Geraldo Luiz Farias, arquiteto Glauco Pereira Junior, arquiteto Helio Roberto Marzalek Junior e a engenheira Roberta Gonçalves. O encontro contou com a participação da diretora de Operações do Paranacidade, Camila Mileke Scucato.



Fontes:

- Engenharia Compartilhada

- Paranacidade



Pós-Graduação